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Nietzsche

Para Oswaldo Giacóia

Nasci póstumo.
Nunca em vida me leram, sequer me ouviram.
Vem da sala de pensão esta música de piano,
nem bela, nem triste,
nos confins de Turim, onde me exilo.
No entanto, ninguém passarà, sem medo,
diante de minha alegria trágica.

Sou o viandante e minha própria sombra.
Lá fora, depois do vento frio e da chuva,
surgirá a manhã, em inviolável segredo.
No fundo da praça deserta,
ao lado de uma árvore, somente um banco.
Mas, bem cedo, sob um sol parado,
reiniciarei minha absurda caminhada.

Eu sou eu, não me confundam!
Sobretudo não fui eu quem criou,
ao longo de confusos milênios,
nenhuma ilusão metafísica.
Quanta verdade suporta um espírito?
No mundo não existem certezas imediatas.
O que o Olho vê? Apenas outro Olho
dentro do mesmo terrível Olho.

Nem mais, nem menos.

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